Imaginação, deriva e o saber discrepante

Rodrigo de Azambuja Brod1 
Anais do IV Simpósio Internacional Diálogos na Contemporaneidade, Set. 2015


Escrevi esse ensaio durante uma disciplina que cursei como aluno especial no Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PROPUR/UFRGS), a convite do prof. Paulo Edison Belo Reyes, um dos avaliadores da minha banca de defesa de dissertação do mestrado. Acabei optando por não fazer a seleção para o programa de doutorado, mas o ensaio ficou como lembrança desse período e também da forma como ainda enxergo uma série de coisas, entre elas educação, método e os saberes que não cabem dentro das caixinhas. 

1 Mestre em Ambiente e Desenvolvimento. Professor do Centro Universitário Univates. E-mail: rbrod[at]univates.br






Resumo ¶ Devidamente referenciado em teoria e apoiado na cientificidade de um método, o saber se apresenta vestido em erudição e certeza. De recorte em recorte, adquire formas designadas por aqueles que o disciplinarizam, aparando arestas e cantos até que cada pedaço atinja a abstração necessária para se desassociar completamente dos seus pares. O saber, assim, torna-se o recorte, a cola e a organização do que lhe cabe a disciplina a qual se relaciona. Ainda que recortes sejam necessários para viabilizar a constituição de um texto monográfico estruturado em sua linearidade, o arcabouço designado para a construção deste saber impõe limites às possibilidades do conhecimento transversal, que se articula nas entrelinhas, nos espaços e nas sobras. A partir desta problematização, o presente ensaio apresenta uma discussão apoiada nos conceitos de Villém Flusser (2017) de pensamento-em-linha e pensamento-em-superfície, na prática da deriva situacionista e nos textos da obra “Atlas ou Gaia Ciência Inquieta”, de Georges Didi- Huberman (2013), buscando refletir sobre como a desobediência e o desajuste parecem necessários para tensionar e irromper os limites da ciência e da técnica (arte), em um movimento de constituição do sensível como valor científico e da imaginação como motor de novas possibilidades e relações que transcendem os limites das áreas do conhecimento. Ao abrir-se em processo inesgotável de associações e analogias, a ciência abre espaço ao saber discrepante, que hoje encontra seu locus em outros territórios que não o acadêmico, como o ateliê do artista, a oficina criativa, a escola disruptiva e todos os ambientes autônomos de aprendizagem criados pelo crescente compartilhamento do conhecimento em rede. A deriva, o atlas e outras abordagens afetivas/conotativas de construção do conhecimento são, em certo aspecto, um reduto e um alento ao pesquisador inquieto e indisciplinado, como âncoras procedimentais que viabilizam o desenvolvimento do conhecimento sensível. Palavras-chave: Método. Sensibilidade. Imaginação. Deriva. Saber discrepante.  

 Texto na íntegra

Publicado originalmente nos Anais do IV Simpósio Internacional Diálogos na Contemporaneidade: Tecnociência, humanismo e sociedade. ISBN 978-85-8167-135-2, realizado de 14 a 18 de Setembro de 2015, na Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES.